sexta-feira, 7 de março de 2008

Não é vício nenhum. Acontece porque tem mesmo que acontecer. Acordo a meio a noite, estico os braços e vejo que apenas eu estou sobre a cama. Apenas os lençóis do meu lado estão desfeitos. Volto a fechar os olhos e vêm me a ideia imagens de um corpo alto e esguio que me sufocou. Um corpo não, pedaços de um corpo. Duas mãos que começaram a fluir das ancas até ao meu pescoço e uma boca que me bafejava a cara com palavras sôfregas. Era a vez de ele falar. Ouvi tudo o que tinha para me dizer. Todos os nomes que lhe saíam da boca sem que se apercebesse que eu ia levar aquilo muito a sério. Afinal o corpo que me tocava não era de ninguém. E depois houve qualquer coisa que queria vir a mim. Mas não veio. Não era um corpo. Era um fugir. Uma coisa qualquer que vem, agarra e passa. Não era um corpo, não. Porque esses não existem. Dou por mim a gritar. Ou a julgar que grito. Passando por ti, acabo sempre a pensar em mim. E nos teus cabelos desfeitos. Em alguém que vive na ânsia de uma minha decisão infantil.

5 comentários:

Pedro Correia ou Poeta Acácio disse...

tens a certeza que estavas sozinha?... hehehe

Está muito fixe... é uma descrição muito pormenorizada... o que de facto é uma coisa interessante! xD

TENHO DITO

Anónimo disse...

my memory doesn't lie to me

AR disse...

Muito bom! ;)

Cavaleiros do Apocalipse disse...

Não te sabia tão escritora sentimentalista... tenho de pôr cá os olhos mais vezes. Adorei.

AR disse...

Adorei ler, aliás, não me canso de o fazer!