sexta-feira, 7 de março de 2008

Não é vício nenhum. Acontece porque tem mesmo que acontecer. Acordo a meio a noite, estico os braços e vejo que apenas eu estou sobre a cama. Apenas os lençóis do meu lado estão desfeitos. Volto a fechar os olhos e vêm me a ideia imagens de um corpo alto e esguio que me sufocou. Um corpo não, pedaços de um corpo. Duas mãos que começaram a fluir das ancas até ao meu pescoço e uma boca que me bafejava a cara com palavras sôfregas. Era a vez de ele falar. Ouvi tudo o que tinha para me dizer. Todos os nomes que lhe saíam da boca sem que se apercebesse que eu ia levar aquilo muito a sério. Afinal o corpo que me tocava não era de ninguém. E depois houve qualquer coisa que queria vir a mim. Mas não veio. Não era um corpo. Era um fugir. Uma coisa qualquer que vem, agarra e passa. Não era um corpo, não. Porque esses não existem. Dou por mim a gritar. Ou a julgar que grito. Passando por ti, acabo sempre a pensar em mim. E nos teus cabelos desfeitos. Em alguém que vive na ânsia de uma minha decisão infantil.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

"it's about knowing that you're out of line and not being able to do anything about it. it's about being unstable and not really knowing who you are, and gathering up the courage to ask someone else to be your rock while you can't be. it's about going through a rough time and knowing that there's only one person who can really help you pull through. it's about pleading to keep the piece of heaven you have a hold on while you go through hell. it's about the rough times and the shit we all go through. it's about life."

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Desci as escadas e entrei naquela sala escura, barulhenta e abafada. Havia um cheiro forte a circular por ali. Olhei em volta. Risos, sorrisos, conversas, olhares paralelos, alegrias, tristezas, amizades, palavras cúmplices, mentiras, choros, zangas. O costume. Depois de me habituar ao cheiro, ao barulho e a luz, dirijo-me para me sentar naquele canto. Ali, onde tudo continua igual. Parece que o tempo se esqueceu daquele lugar. Nada muda. Nada evolui. Estava ali sentada a um canto com uma garrafa de água sob a mesa, o cinzeiro, o maço dourado e preto e com um cigarro na mão. Divertindo-me a tentar fazer bolinhas. Recordando momentos e alturas que me pareciam tão subtis. Espaços com momentos de meias palavras. De sorrisos fracos e sinceros ao mesmo tempo.

Ate que olhaste para mim. Com um olhar triste. Procuraste o meu olhar e eu retribui, mesmo que por uma fracção de segundo.
É aquilo a que eu chamo de 'bons tempos'.
Agora procuro o teu olhar mas nã
o o encontro. Procuro-o, não numa fracção de segundo mas sim por mais algum tempo. Ele é que não me liga. Afinal não pode existir uma coisa que há muito não encontramos. Embora por vezes pareça o contrario. Embora quando queres, me tentes mostrar o contrário. Estava ali sentada, naquele canto enquanto as lembranças fugiam e a realidade continuava parada. Ali a minha frente. Olhando para mim ainda que por pouco. Ainda que com olhares tristes e imperceptíveis. Talvez eu não queira ver mesmo. Ou talvez sim…

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Recado escrito num papel rosa


Não fugi.
Fui só às compras.
Não sei porque não fujo, talvez porque não posso.
Não sei porque volto. Talvez porque precise.
Espera por mim que eu volto, enquanto puder.
Mas quando eu fugir,
vai atrás de mim
e faz-me sentir amada.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Aparição

Devia procurar alguém que partilhasse comigo esta incomparável vontade de adequar a nulidade da vida à sua obscura interrogação. Adequa la à sua necessidade.
Alguém que tenha curiosidade em saber de onde nascem todos estes
flashes do dia-a-dia que nos vão cegando.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Começo a conhecer-me. Não existo.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,

Ou metade desse intervalo, porque também há vida...

Sou isso, enfim...

Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. Fico eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.

É um universo barato.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Tão estranha a sensação de não viver. De estar só à espera que aconteça. Olhar para trás e ver que em quase meio ano nada aconteceu. Pelo menos comigo. (...) eu estou em stand by. (...) Como os passageiros à espera de um outro destino naquelas salas de aeroporto que são onde melhor se ouve a solidão de estarmos tão perdidos assim como eu aqui, que por momentos nos transformamos em verdadeiros fantasmas, sem sombra sequer, sem nada. Até acontecer alguma coisa. Vai ter de acontecer alguma coisa. E não acontece.

sábado, 12 de maio de 2007

Toda a gente sabe que a arte é uma forma de magia. O que ninguém sabe é o que é a magia. Torna presente o que está ausente, sem que se saiba como. Acontecem coisas sem que se compreenda por que acontecem, e, precisamente, o que menos interessa é saber ou compreender. Fascina e arrepia. Eu andei a brincar com coisas que não devia. Percebi tarde que as consequências do que fazia fugiam por completo ao meu controlo, que a partir de certa altura, bem cedo, não era eu que jogava, era eu o jogada.